sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um pouco da minha história - The Beginning Of It All

Em 1987 eu nasci, mas minhas primeiras lembranças são do início da década de 90.O que mais marcou a minha vida até os meus 5 anos foram as diversas idas com a minha mãe ao Pronto-Socorro(Hospital de Clínicas) de Pelotas. Eu tinha muita dor de garganta,febre e vários problemas respiratórios. Muitos destes problemas são graças a um desvio de septo nasal que possuo até os dias de hoje. Foram tantas as nebulizações no corredores e filas intermináveis para conseguir atendimento.
Lembro também de passar uma boa parte do tempo na rodoviária com a minha mãe que trabalhava na lancheria da minha tia, e em casa com a minha vó. Na rodoviária, eu vivia enchendo o saco da minha mãe e dos taxistas que incrivelmente gostavam da minha companhia. Em casa, minha vó sofria por eu ser tão chato para alimentação e viciado em porcarias.
Aprendi a ler/escrever com 4 anos, sozinho. Olhava figuras, letras e tentava fazer igual(copiar), assim que fui aprendendo já que minha vó era analfabeta. Ainda lembro de me questionar qual o significado do "i" de cabeça para baixo nos finais de frases ou palavras. Odiava os pontos de exclamação.
Com 5 anos me colocaram no colégio. No primeiro dia de aula não consegui assistir pois a escola era uma bagunça total. No segundo dia, minha mãe me levou novamente para a escola e depois de chorar muito, deixei ela ir trabalhar e fiquei na aula. Não gostei nada da ideia de passar a manhã inteira com pessoas desconhecidas. Sempre fui uma criança tímida e solitária. Dificilmente brincava com alguém, e se brincasse, era com crianças bem maiores do que eu, como meus primos Edevaldo e Belisa. Jogávamos um inesquecível "tampinhobol" no saguão da rodoviária e a minha felicidade era quando meu primo me colocava sobre os seus ombros e saía cantando: "a taça do mundo é nossa." Eu era a taça, no caso. No terceiro dia de colégio, de novo foi uma choradeira e eu não queria de jeito nenhum me separar da minha mãe. Eu chorava, xingava, gritava e até colocava sangue pelo nariz de tanto nervosismo. Apesar de tudo, eu fiquei na escola e minha mãe foi trabalhar. Logo em seguida não me aguentei de stress e minha vó teve que ir me buscar. Nos outros dois dias da semana eu berrei tanto que resolveram me tirar da escola. Acabei por passar aquele ano todo indo para a rodoviária com a minha mãe ou ficando em casa com a vó.
Gostaria mesmo é de ter mais lembranças do meu pai. Que falta ele fez na minha infância. E como fez na adolescência e como faz agora. Certa vez meu pai apareceu lá em casa (aqui, no caso) com um "cãozinho" novo pois o nosso outro cão, o Tarzan(um pastor alemão capa-preta), estava meio velho. Acontece que o cãozinho era um boxer que odiava crianças e qualquer coisa que se mexesse na frente dele. Mas eu adorava brincar brincar no pátio, então meu pai se viu obrigado a abandoná-lo. Lembro até hoje do pai tendo que dispensar o animal na Av Caruccio. Meu pai trabalhou muito tempo como motorista de ônibus e caminhão. Eu adorava quando ele aparecia lá em casa com o caminhão e eu ficava fuçando em tudo que tinha na cabine. Lembro das palancas do câmbio de marcha que ele seguido trocava. Morri de medo quando ele apareceu com uma que tinha uma aranha dentro. Achava sinistro.
Há pouco tempo eu resolvi "estudar" um pouco mais da vida do meu pai. Meu tio me contou que foi lá em casa com a minha ta e quando chegou, lá estava eu (bebê) de pernas para o alto, todo sujo com o meu pai tentando trocar as minhas fraldas. O tio Aldo falou que meu pai estava todo atrapalhado e falou em voz alta: -"Olha aqui Aldo, esse negão tá todo cagado!". Só de imaginar a cena me dá muita vontade de rir.
Infelizmente meus pais não se davam muito bem e resolveram se separar após muitas brigas e discussões. Foi uma época muito difícil pra mim. Era muito raro os casais se separarem naquela época e eu tive que viver sem paipelo resto da minha infância.
Minha mãe teve que segurar a barra e tentava frustradamente exercer os dois paéis, o que era impossível. Ela tratou logo de arrumar um padrasto para mim e para meu irmão. Sofri muito tempo calado.
Dói muito ter que trazer essas lembranças à tona. Essas são com certeza uma das cicatrizes que jamais curaram em mim. Mas não há de ser nada, sigo minha batalha e só carrego comigo as lições que tirei de cada dificuldade. E não foram poucas.
Vou ficando por aqui, outra hora eu continuo a história. Obrigado pela atenção. Espero que curtam o vídeo, escolhi de coração. Foi! Abraços
Robson Braga da Rosa

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