domingo, 11 de julho de 2010

"Ser Pensante!" ( Capitulo I ) / Renato

Sempre tive sonhos, nem sempre foram sonhos, as vezes vinham disfarçados de pesadelos, pronunciavam vozes que eu não podia decifrar, faziam coisas que eu não considerava, ou me premeditavam meu fim. Tudo isto acontecia com meus olhos fechados, em sono profundo, não tão profundo que não pudesse ser despertado pela fúria que eles despertavam, sim, os sonhos. Madrugadas silenciosas gelavam com vozes que partiam do mais subconsciente existido em um lugar desconhecido dos limites conhecidos por quem quer que seja. E sempre tentei entender tudo, cada palavra, cada gesto, cada sinal... e nada fazia-se entender, um enigma surgia em cada nova tentativa de descoberta. E assim cheguei a conclusão de que não adianta tentar entender. Se perde tempo. Se perde vida. Se perde tudo que se deseja encontrar. E tento ainda achar um caminho pra sair de onde estou, sem saber ao certo onde estou, e fecho os olhos para encontrar esse caminho, e vejo apenas escuridão, não existe mais sonhos, não existe mais esperança, até a luz do fim do túnel se fez apagada com a obscuridade que raiava no fim. E no limite do pensamento, penso no louco, sim, ou seja, na loucura que existe em mim, baseada na stória do louco, “O Louco Ilusionista Do Pensamento imaginário”:

Uma porta se abriu no imaginário pensamento de um louco ilusionista
Talvez seria um caminho ou uma resposta lhe dizendo: por favor não desista
Já cansado de tanto lutar e nada conseguir neste mundo tão injusto
Viu seu sangue derramar como suor e tudo a seu próprio custo
Nunca soube entender o que se passa na mente e na cabeça dos outros
E porque aqueles que querem fazer tudo certo são chamados de loucos
Procurou em vão uma razão pra compreender todos estes pensamentos
Quando percebeu que suas vontades e seus sonhos se perderam no tempo
Havia ainda um motivo para crer que tudo isto um dia iria mudar
Bastava acreditar em si próprio para esquecer tudo e não se entregar
Nos caminhos da ilusão encontrou seu lugar e sua própria vida
Imaginando tudo trouxe de volta a esperança que há tempos estava perdida
E mesmo assim ainda faltava algo pra que pudesse ainda encontrar tudo
As respostas, as razoes, os sentidos e porque seu pensamento era mudo
Procurando incansavelmente, até o fim, o porque que isto acontecia
O que era aquilo que o entorpecia, confundia, enlouquecia, dia após dia
Parecia que era tarde pra compreender tudo e apostar que iria conseguir
Parecia que era a hora de dizer um basta pra isto tudo e enfim desistir
Mas o medo, covardia ou vontade insistia em continuar tentando
Engolindo tudo a seco, já não sabia mais se estava certo ou estava errando
Eram dois mundos diferentes separados pelo lado de dentro e o de fora
Da porta pra dentro seguia em frente, o outro lado dizia pra ir embora
As vezes toda força já tinha se ido, nem ódio mais dava pra sentir
Talvez fosse a vontade de viver e não sair jamais daqui
Perturbado e já sem esperança, mesmo assim tentando ir em frente
Procurando sempre ser igual, mesmo que se sentindo sempre diferente
''O que estás fazendo aqui? Ó louco ilusionista do pensamento imaginário
Mais uma vez perdido entre rimas que só existem no seu dicionário''


E volto de onde parei, de onde não consegui ir alem, de onde adormeci. E para muitas pessoas, sonhos não dizem nada, vozes estranhas não dizem nada, obscuridade não lhe diz nada. E para muitos sua própria voz lhe diz tudo, tudo o que precisa é de si. Tudo bem, eu não posso discordar desse pensamento, não posso fugir da realidade, não posso questionar as regras de cada um, enfim, não posso ser quem não sou, nem desejo, nem procuro, nem quero... apenas quero basear minha loucura em mim mesmo, seguir sonhando, seguir minhas ilusões, como se fossem musicas, como um sonoro despertar em alguma mente perdida, bem como eu sinto a sonoridade das palavras gritadas com ódio aos meus ouvidos, nas musicas que ouço, nas musicas que procuro, nas musicas que faço... e assim penso demais, escrevo demais, e faço demenos... sigo a voz trancafiada em mim, que diz assim:

Exploda minha cabeça com um tiro antes que eu mesmo faça
Aí será pior, vou caminhar rumo ao inferno
Vou rastejar nas profundezas queimando sem perdão
E minha alma queimará pra sempre no fogo eterno

E meus olhos verão todo o ódio que existe no mundo
E desaguarão como um rio perante a minha dor
E no dia que a morte não for o fim da vida
Chorarei por não ter morrido pela primeira vez

E quando meu erro se tornar em meu maior medo
Meu segredo de viver sem sentido será revelado
E por mais que eu tentar negar, não conseguirei esconder
O meu medo de errar em abismos do passado

No silencio de noites escuras eu ainda vou caminhar
Como se fosse uma sombra seguindo uma alma perdida
Como se sombras existissem em plena escuridão
Ou como se a escuridão revelasse os segredos da vida!


E fecho os olhos novamente, não para dormir, mas sim para procurar mais uma resposta, uma resposta para tudo, porem só vejo a escuridão, não vejo mais nada... escuto algo, sim, e vejo também, alem da escuridão, voltando ao meu real mundo, saindo da ilusão que me conduzia aonde eu queria estar, e saindo do meu estado de “ser pensante”, me reconheço em meu quarto assistindo um dvd do Slipknot, servindo como trilha sonora para meu pensamento de ódio ao que me faz seguir, relembrando meu estado de basear minhas idéias em ideologias criadas através da sonoridade que chega até mim, sim, o som me conduz, como em uma musica da banda Level Nine que diz assim: “eu prefiro me desafiar e ter escolhas!”.

Se interessar a alguém, Level Nine será a influencia do segundo capitulo da serie “Ser Pensante!”, alias, deixei-me explicar este termo; “Ser Pensante!” é um vulgo que foi atribuído a mim, há alguns dias atrás. Seu criador não soube explicar ao certo sua definição, porem deixou a entender que foi atribuído pela minha característica de pensar demais e pouco por em pratica meus pensamentos. Pois bem, estou de acordo. Sou um “Ser Pensante”, não nego, afinal já escrevi isto em uma de minhas musicas, e ela diz assim: “Por quantas vezes eu tentei mudar, preso a palavras no pensamento, que nunca saíram de mim, e tudo isto enfim, perdeu-se no tempo!”. Quem diria, eu, um “Ser Pensante!”. O pensamento também pode chegar ao fim. Até breve!!!

by: Renato

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